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Mostrando postagens de 2016

AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bo…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
como o sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

TERRA NATAL

Pergunta-se o que é Terra Natal. Dizem
que como o amor, é coisa única. Um só amor. Uma só terra natal. 
Mariana não pensa assim. Sente-se capaz de abrigar amor simultâneo por coisas, cidades e pessoas. Por isso ama Edgar e Rafael. O vestido  de oncinha e os chinelos. Navega nas ruas de tantas cidades e diz: acho que nasci aqui. À muitos lugares ela sente pertencer. Lembra das aulas de matemática e dos símbolos de  pertence e não pertence... sabe que Fundamental é mesmo, o amor. 
Sobre o que muda, ela escuta o que se avizinha e faz ninho no quintal. Ao cair da tarde, vislumbra possibilidades de recriar-se e sair da mesmice. Nem sempre é possível. Estamos todos destinados à mesmice! diz apocalíptica. 
Dentre as mudanças, prefere aquelas que sem motivos prévios, simplesmente Acontecem. Se interpõem feito tiro. Ela entre o disparo e o alvo. Sem ter para onde correr. Sem tempo, talvez, para temer.  Mariana gosta de experimentar desassossegos, cheiros inusitados e rajadas de vento. Sabe que vive…

PROSA DESARTICULADA EM SI MAIOR

PROSA DESARTICULADA EM SI MAIOR 
se de acaso em acaso respiro e transpiro, virada em palavra sigo dentro de um tempo que me soa agora mais determinado. 

em meio ao que me varre e assusta deparo com a ideia de esvair e secar. da profusão de um mergulho na cheia da maré; da composição, da melodia e de juntar as coisas segundo um critério. 

em meio ao que me voa e assombra deparo com um olhar.  a beleza e o vazio de um olhar. no mais, mesmo que eu estranhe, talvez tudo seja leite derramado sobre natureza morta. choque e ausência de cor. vento e vertigem. 

se a vida é mesmo bobagem e irrelevância (é?), liberdade e impotência, eu sigo. acho que viver é inspirar e seguir.

SOBRE VAZIOS

SOBRE VAZIOS




sou arquiteta. tenho apaixonamento por conceitos e palavras estruturais: por exemplo: palavra ferro, palavra concreto; também pela mecânica das palavras tenho apaixonamento: palavra envergada, palavra cisalhada; palavra fundida.


amo especialmente palavras fio: com alma de aço. gosto de até de onde elas podem ir: como a palavra balanço;
atravessa vãos inteiros e compreende amplamente um vazio. 
de lá, desdobra em contemplação.

GUARDAR de Antonio Cícero

Guardar Antonio Cicero


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
Antonio Cicero

PROJETO ESTÉTICO PARA DESVIRGINAR VAZIOS

PROJETO ESTÉTICO PARA DESVIRGINAR VAZIOS
uma palavra ou quem sabe um novo dicionário. um léxico inteiro... PROJETO ESTÉTICO PARA DESVIRGINAR VAZIOS para começar DEZEMBRO desse ano exagerado de tantas perplexidades
preciso de uma palavra para projetar. uma palavra para construir e representar ideias. uma palavra tijolo. preciso ainda  de uma palavra que sustente. uma palavra base. é mais do que organizar ou dispor as coisas com lógica e depois banhá-las em estética. preciso de palavra para desvirginar o vazio. palavra para fazer chão.

SOBRE PIPAS

SOBRE PIPAS


pedaços coloridos de papel, 
dançam. música, cor e, talvez, por detrás do óculos escuro dos óculos, uma pitada de manteiga e acúcar.

aqui, no céu de Paris ou Bagdá;
entre nuvens na India ou Tailândia
por cima das árvores e edifícios;
aqui ou em Pequi:
voo, música e dança,
sob a estrutura que verga e
decifra asas;

tem linha na pipa e
rasantes na razão do chão;
suspensa, gravito dentro da térmica -
linha, música e dança.

na razão do chão, voo e asa
na linha e na asa,
voo e casa.



DA CALMA E DO SILÊNCIO

Conceição Evaristo, vencedora do Prêmio Jabuti do ano passado - categoria contos e crônicas, com o livro Olhos D’água, é uma das vozes mais fortes da literatura atual.


Da Calma e do Silêncio

Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.

Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.

Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na  aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.

OUTROS MUNDOS :)

poemas memo.  por Sergio Cohn
Há um resíduo de futuro no vento, fotograma ante- cipado, montagem de fragmentos induzindo à cena. Como aquela árvore se curvando com- placente aos invisíveis pesos, como o mormaço predizendo chuva. Repito, há um canto anterior a qualquer canto, uma réstia, um eco primeiro, como um som que ressoa por dentro de cada palavra, como todo gesto se desenha e apaga, então novamente. Há o revés, o diáfano, o termo, beleza posta e perdida, o desen- cadeamente, assim como a sede do vapor por uma forma, assim como tudo retorna à imaginação por trás da cortina da memória.

ANARQUIPÉLAGO

ANARQUIPÉLAGO Submersas e móveis
ilhas isoladas
sob um sol submarino
no solstício de dezembro. Não há caravelas
nem argonautas,
apenas náufragos
em águas estrangeiras. Loucas e líquidas latitudes,
mil mares inavegáveis. Cinco ilhas livres:
entre elas, no fundo indizível,
vive,
no mar de fuligem, Le Bateau Ivre. Guarda (contrabando na carga)
palavras como âncoras corroídas,
ossos e um mundo fora de prumo.
O velame de velcro avisa
a vagabundos visionários e intempestivos
que só se navega de verdade
verticalmente. Ilhas em fuga
afundam a teoria dos conjuntos,
a falácia dos mapas,
o sentido da história,
os gozos memoráveis. Tantos portos,
tantas palavras
e nenhum destino. E se todo caminho for (clan)destino?  JOSÉ ANTONIO CAVALCANTI

TURBULÊNCIA VIRAL

de viés, sob o baixo dos olhos, o homem faz silêncio. asculta, mas caso perguntasse, diria que, ainda que inexata, me sinto agora mais demonstrável. por exemplo:

aceito a ideia da mente como máquina de fazer relevâncias; 

olhando para frente, sigo aberta e precipitada. 

exagero nas cores do que me anima 

dou amplitude aos ossos e músculos que me carregam sob alcunhas diversas.

estou quase em paz. 

sou alguma ferrugem nos nervos, volúpia e aconchego; fertilidade e seca. 

em cada palmo de mim o sol brilha e se apaga

acato flores de cerejeira e revoadas de pássaros.

aceito e acato o que chega e o que vai. 

procuro nas coisas vagas, cadência; mas se for preciso, eu brigo. 

ele, de olhos baixos, dentro do jaleco, talvez anotasse coisa qualquer no papel.

DEPOIS DA NOITE

DEPOIS DA NOITE
o biônico da manhã esconde os segredos dos pés descalços. a preguiça. entre cascas, uma lembrança escondida. entre o osso e a cartilagem, algo de entumecido cristaliza no tempo, e a voz na varanda molha debaixo da goteira debaixo da chuva que insiste debaixo da preguiça, apesar, do claro do dia, de um dia talvez ameno e do resedá que insiste num verão qualquer, insiste na barca de amantes. insiste numa especie de nevoeiro:  carnaval em corda bamba, cordas rotas. jaz na retina um aroma antigo: um sabor de água da talha, de sede apesar da cacimba. há talvez uma jangada na ponta do abismo. e velas abertas.

SOBRE VAZANTES

SOBRE VAZANTES
o movimento caudaloso do rio; roda dentada do desejo; anoiteçe e adentra a terra
a metáfora passa a língua no pescoço que esquiva; dedilhante e obsceno.
um disfarce líquido oculto e peludo na sombra do salgueiros.
há mais que demoras na algibeira:  uma vastidão de urgências.
na emboscada, farpas de medo e redenção;  ímpeto dentro, labaredas estrilam nos olhos da seca; um desejo sonâmbulo, e o espanto: tudo é sangue.
E se fosse atrito? Tempestade, concha? Resvalaria?
(Lamberia que nem cachorro do mato?)







PERCEPÇÕES

SOBRE CAVALGAR

O poema galopa sobre os cascos salta dentro do vento e do cheiro salta no oco da palavra; veloz faz a curva pele e pêlo.
O poema não aceita ser encilhado.

ODE PARA LUÍZA

Ode para Luiza
pelo sulco do olho verto uma lágrima. ato ridículo e baldio como carta de amor nunca escrita. uma lágrima furtiva. rútila. apenas para edificar a dor: dar equilíbrio e resistência.
galhofeira, insisto em frente ao espelho um tanto lânguida (vês?); amarro com arame as lacunas para estar assim: súbita e obscena. 
dedilhante, suprimo o ar da palavra para fazer cardume de desejos em franca apnéia; dividir o mar com arraias: heterônima e abandonada. cerzida e voadora.
depois, farpo os espaços por puro capricho. coloco a palavra deserto no meio da palavra água pelo prazer de ver tudo desandar. por delirar e estar assim: vítrea, viscosa e febril.

GÂNDARA

GÂNDARA


debaixo do sol ou na noite escura, tateio alhures entre palavras que insistem. tangencio a superfície da areia com a pele e faço núpcias com a escuridão. a memória me traz qualquer coisa de imaterial: sou aguçada por lembranças basais. matizada de impurezas. de tanta sede, rezo uma prece natural debaixo de um pequeno arvoredo: posso ver na lágrima um peixe; e mais ali, formações de líquen (olha). eu gosto tanto de prismas!

SOBRE GARIMPAR

SOBRE GARIMPAR

(publicado na Oficina da Palavra Selvagem em 27 de julho de 2016)

Todo homem garimpa. Todo homem garimpa e se sabe musgo. se sabe pedra e rajada de vento. se sabe banho de ofurô.
Todo homem garimpa até mesmo quando o fogo dos sonhos faz soar ao longe uma ocarina: todo o mais passa e fica nas molduras e rodapés. nas notas de pé de página. 
Todo homem que garimpa é mais quando, pés n’água, carrega o horizonte nas mãos e nos olhos; a busca. todo homem, até em água benta, garimpa: silêncios e palavras: trampolins de onde salta para voar em papel de arroz. ladear talha-mares. todo homem garimpa. todo homem; música, perfume e voo. 

Receita para, aqui, no JAPÃO, em PORTUGAL ou onde seja, CONTER A MESMICE nas TEMPORADAS DE CEREJA

Receita para, aqui, no JAPÃO, em PORTUGAL ou onde seja, CONTER A MESMICE nas TEMPORADAS DE CEREJA


Ele te dá uma cereja. O gosto atinge direto órgãos e glândulas. Passa antes pela língua. O olhar dele é injeção de glicose que você sorve e dissolve na papila já tingida de sabor. 

O líquido te percorre, depurando, fomentando outras reações, enquanto o olho dele te olha. É tudo vermelho enquanto isso; e, enquanto isso, ele enxerga a contradição que você é e fica te variando entre os dedos. Ora um, ora dois, ora cinco. Como saquinhos de veludo ele te varia entre os dedos. Uma a uma as fichas vão te caindo no estômago. Uma a uma você sente a dor. Ouve sinos. Eles balançam e fazem um barulho incomum. É o chão que está ruindo. Em tudo você vê erupção: prazer, medo, susto e alívio. Daqui a pouco tudo vai ser um amontoado de imagens lá longe. 

Ele ri e brinca com os saquinhos de veludo. Você pensa em se prender no sino para não morrer à toa. Balançar e fazer barulho com ele. Depois pegar a corda e…

SOBRE FOTOGRAFIAS

SOBRE FOTOGRAFIAS
Um moço está sentado na soleira da porta. Cotovelo sobre os joelhos, diz para a moça que sonho como aquele nunca tinha sonhado não. Que nunca, desde os tempos em que saiu de Caruaru, tinha sonhado mais. Antes sim, sonhou sim, muitas vezes. Mas nunca um sonho como aquele. A moça lhe olhava de de soslaio. Mexia a cabeça e me espiava. Olhava bem dentro dos meus olhos. E ele contava o sonho e contava do medo e o medo estampado nele escorria pela calçada, pelas pedras, e caminhava até o bueiro. E então não escorria para dentro. Ficava ali a redundar. 
Da minha soleira eu só espiava. Um tapete de concreto forrava a rua e a cidade. O céu era de numerados cinzas e cobria tudo desde o oeste. Prédios erguiam-se feito arbustos sobre o árido da terra. Espalhadas aqui e acolá, casas. Em nenhum canto cor. Em nenhum canto flor. À esquerda, no fio mais elaborado da sombra que atingia em diagonal o pequeno rosto, uma menina partia formigas entre os dedos. Ao longe um vento redemoinhava…

SOBRE QUESTÕES RESPIRATÓRIAS E AMORES INVENTADOS

a talhadeira corta a parede adoecida.corta bolores e cheiros acres. corta a palavra. entre a superfície e o dentro, ecos: onde foi que os olhos engoliram a limalha e a córnea reagiu num sobressalto? onde os olhos captaram a retícula da terra? avermelharam? com um tampão no olho, só emudeço.  em cada instante, quero vôo e mergulho: (não tenho doença) saco pinça, cureta, alicate, picareta. tudo vale. por exemplo, as unhas, ou ser inquilina do escuro até que (mais uma vez) ele me tire para dançar. nada a fazer se sinto paixões de nascença. entremeios em que os pulmões perdem ar e eu, com a coragem de tudo que faz febre, inspiro e dilato os brônquios. (talvez eu pudesse anfitriar o ar. poderia?). mas não, agora dei de andar discreta de ante-salas. a (des) esperar por ele. se o ar é um caminho a vencer; inalo o tremor que vem junto com o medo. desdobro ante um aroma de flor e ocaso. sob o cantar dalgum pássaro e o seu vôo. hibiscus em flor. gaivotas que sobrevoam o quintal. um choro convuls…

GRAMÁTICA E DESENLEIO

GRAMÁTICA E DESENLEIO

experimentei uma vírgula depois de, em frente ao espelho, pronunciar alto: eu te amo. foi a vírgula ou o quê a perguntar: como assim? então experimentei outros parágrafos. neguei e afirmei impressões. em seguida, o ponto final, e o ponto e vírgula, que é uma coisa que garante uma ação futura depois de uma viagem qualquer. pensei em fendas e sinapses. em pontes de eletricidade e informação. em ser arquiteta e mudar o desenho das pontes. diminuir o espaço entre um neurônio e outro. entre eu e você. pensei em títulos e em COISAS PARA DIZER EM TEMPOS DE CÓLERA e A DESPEITO DO AMOR, por exemplo: "entuba. come com farinha. dá tuas voltas. buliu com a onça….engole o choro. cê não é quadrado. cada um no seu quadrado. trouxe o motor ou temos que voltar remando? ué… mas… então…. eu? vixe, menino; quebrou o catulé… ué, bate panela. entuba! se ao menos tivesse nascido do outro lado da ponte…”. não é que tanto desembaraço desatou em visagem? 
voltei ao espelho
e num frêmito…
OPALINA





todo o horizonte: escama e escuma.
todas as palavras:
rotas, terras lavradas; e o barulho dentro da concha. 
tudo cabe no olhar. até o universo.